𝕯𝖎𝖆́𝖗𝖎𝖔 𝖉𝖊 𝕮𝖔𝖓𝖈𝖊𝖎𝖈̧𝖆̃𝖔
02 𝔡𝔢 𝔍𝔲𝔫𝔥𝔬 𝔡𝔢 1972

Quando o vi novamente, tantos anos depois, sorria contido em meio da multidão. Tinha seu mbaraka e começara a tocar uma versão de “Lua Branca” de Chiquinha Gonzaga. Eu tinha passado tantos anos pelas águas e peixes e reflexos de sois escaldantes que não conhecia aquilo, Chiquinha nem sequer havia nascido quando meus pés ainda tocavam o chão seco. Estava exatamente igual a quem havia sido aqueles tantos anos antes mas algo de melancólico permeava o olhar de Peri enquanto meu estado de choque eminente transpassava como um raio entre nós. Eu não sabia mais interagir com pessoas, tudo parecia saído de um sonho estranho e amarelado, eu que estava tão acostumada com meus tons de verde e azul. Agora já consigo contar com escrita e voz bonita mas na época a bem da verdade é que eu mal lembrava como se falava após de mais de um século em forma de água. Eu tinha muita raiva contida das outras bruxas com seus bons costumes e rendas infinitas. Parte minha queria destruir tudo, nessa confusão de não entender como era possível que todo esse espaço de mar agora se resumia apenas à terra.
Mas então tocou Lua Branca.
E me acalmei.
No final da noite, ele me percebeu pela primeira vez.

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Agora que você sabe, volte & escute com atenção.
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